Uma crônica dos meus 55 anos

Hoje completo 55 anos de idade. Não, nada de mais, afinal, nunca liguei muito para isso.

Entretanto um dos meus presentes foi ler no Estadão mais uma notícia sobre o pretendido PDV que se desenha nos Correios.

No meu caso, a matéria veio no dia certo. Afinal, “o PDV será direcionado para funcionários com mais de 55 anos, aposentados ou com tempo de serviço para requerer a aposentadoria”. Não trabalho nos Correios, mas fui atingido em cheio quando me vi enquadrado em uma das  categorias, desculpem-me, dos descartáveis.

Independentemente dos estudos acadêmicos, das soluções mágicas e dos rótulos de “terceira idade”, “melhor idade”, ou coisas do tipo, o fato é que vivemos cada vez mais e com menos oportunidades de trabalho. E em um ambiente onde ter 40 anos já é um desastre para o mundo corporativo.

Hoje, também me lembrei de meu pai. No auge de sua vida empresarial, aos 50 anos de idade. Depois, trabalhando com muita energia e dedicação no SESI aos 60 anos, onde permaneceu até sua morte, aos 69 anos de idade. A vida tinha um ritmo, as coisas aconteciam paulatinamente, cada coisa em seu momento, uma evolução no correr do tempo. Não é saudosismo, é reflexão.

Preocupa-me e tenho tentado desenvolver um raciocínio com relação às futuras gerações. Hoje muitos se julgam livres, geniais e extremamente preparadas, com suas pós, mestrados e doutorados. Carregando cada vez mais cedo uma pesada carga teórica e uma experiência de vida praticamente inexistente. Eles não se dão conta de que serão consideradas descartáveis muito antes do que imaginam. Ao primeiro “vamos tomar mais cuidado” o sistema os considerará velhos, profissionais sem ousadia.

Além dos que se preocupam com o futuro – que não são muitos – os atuais participantes de planos de pensão também serão impactados de alguma forma nestas ações de “limpeza dos quadros”. As quais diminuem de forma significativa o número de contribuintes.

O imediatismo, o sucesso financeiro verdadeiro – ou falsamente exteriorizado – é que estão na onda e a fatura deste comportamento coletivo chegará a qualquer momento.

Não sou nem da “terceira”, nem da “melhor” idade. Estou envelhecendo e ponto. Isso não quer dizer que perdi o espírito de estar sempre aprendendo, trabalhando, estudando e, por que não, provocando.

Fiz e continuo fazendo a minha parte. Que venham os próximos anos!

vignoli

José Penteado Vignoli

Educador Financeiro VigPlan

Porta Voz do SPC Brasil

www.meubolsofeliz.com.br

email: vigplan@uol.com.br

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